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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

INDO ATÉ OS CONFINS DA TERRA


No ano passado, visitei Jilava, na Romênia, onde Richard Wurmbrand, fundador da Missão Voz dos Mártires, esteve preso. As condições na prisão eram terríveis, e o Pastor Wurmbrand foi vitima de sofrimentos inenarráveis. Para muitos, a prisão parecia mais o fim do mundo.

Certo dia, os guardas levaram um dos companheiros de cela do Pastor Wurmbrand, que também era cristão, para uma cela de castigo onde muitos já haviam morrido por causa do frio do inverno. Richard também já tinha estado naquela cela. Enquanto seu companheiro de cela era levado, Richard disse a ele: "Quando você voltar, diga-nos o que aprendeu".

Pode ser que nos surpreendamos com isso; seria mais natural dizer algo como: "Vamos orar para que você sobreviva". Mas Richard compreendeu que Deus nunca nos abandona e que todos os cristãos sobrevivem. Nós não temos fim. Fomos criados para exaltar a Cristo e para viver com ele para sempre.

Talvez, quando nos encontrarmos no céu, Jesus não nos pergunte: "Quanto você abdicou, ou sofreu, ou enfrentou por mim?". Talvez ele vá além disso e diga: "Sua vida não acabou. Você estava em minha escola. O que você aprendeu?".

Muitos meses depois de minha visita à Romênia, viajei para a Coréia do Sul e me encontrei com o Sr. Choi, co-diretor de nosso escritório no país. Choi me contou sobre uma revelação que ele teve quando foi preso na China por evangelizar norte-coreanos. Num momento de desespero, ele se lembrou de uma oração que fizera quando jovem, ainda no ensino médio: "Oh, Deus, estou disposto a ir até os confins da terra por Ti. Envia-me até o fim do mundo".

Certa manhã, o Sr. Choi despertou e se deu conta de que seu "fim do mundo" não era uma selva remota, nem uma cabana de couro com uma fogueirinha dentro, nos ermos da Mongólia Superior. Ali, sentado no chão da penitenciária, ele percebeu que Deus havia respondido à sua oração. Uma cela de aço e concreto era o seu "confim da terra". Jubiloso com essa nova compreensão, Choi começou a falar de Jesus com os guardas e com os prisioneiros, levando alguns à fé salvadora em Cristo Jesus.

Naquela mesma viagem à Coreia do Sul, encontrei-me com Dra. Rebekka, uma médica da Indonésia, que foi presa por manter uma Escola Dominical para crianças de seu bairro. Muitos leitores escreveram cartas de encorajamento para a Dra. Rebekka. Depois de sua libertação, ela deu prosseguimento ao seu ministério. Enquanto "conversávamos, ela disse - referindo-se ao livro dos Atos - o que Cristianismo "normal" significa para muitos cristãos indonésios. Com um sorriso irônico no rosto, ela apontou para nós e disse: "Vocês podem pensar que nós somos anormais. Não, nós somos normais. Vocês é que não são".

Já de volta, eu e minha esposa Ofélia fomos a uma igreja pequena em Vinita, Oklahoma, pastoreada por Eddie Wrinkle. O Pastor Eddie começou seu ministério organizando um curso bíblico por correspondência, e já conduz fielmente seu rebanho há 22 anos. Todos os anos, ele vai às Filipinas para ajudar num programa de rádio cristão em uma ilha povoada por extremistas islâmicos. Mas ele sempre volta para ministrar em Vinita. Ele sabe que aquela cidadezinha do Oklahoma onde ele trabalha é o "confim do mundo" que Deus determinou para ele e sua família.

O Pastor Eddie compreende o segredo que o Sr. Choi, Dra. Rebekka e muitos de vocês entendem. Quando conhecemos o Senhor Jesus Cristo, podemos ser conduzidos a lugares de oportunidade e de sacrifício neste mundo que parecem ser o "fim do mundo". Todavia, quando partilhamos o amor de Jesus ali, criamos um começo. A comunhão com Jesus é o começo da vida. Ele é o principio e o fim. Ele nos conhecia antes de nascermos, e através de seu sangue ele nos concede vida eterna.

Não importa qual o nosso nível de escolaridade, quão conhecidos somos ou não, à luz da eternidade temos apenas um breve tempo sobre este mundo para oferecer nossas vidas ao serviço de Cristo. Esta é a oportunidade de assumirmos riscos, andando num mundo perdido e cheio de incertezas, e dizer: "Isto é normal. Tudo bem, Senhor, o que eu posso aprender e o que Tu queres que eu faça sobre isso?"

Dr. Tom White
in Revista "A Voz dos Mártires" - março/abril 2010.
http://paginasmissionarias.blogspot.com

segunda-feira, 29 de março de 2010

CARMELITA - Max Lucado


O ar quente pairava pesado na pequena capela do cemitério. Os que tinham leques usavam-nos para refrescar-se. Havia muita gente. As poucas cadeiras colocadas foram logo ocupadas. Eu encontrei um canto vazio de um lado e fiquei ali de pé, observando meu primeiro funeral brasileiro.
Sobre suportes no meio da capela tinha sido colocado o caixão e nele o corpo de uma mulher morta num acidente de carro na véspera. O nome dela era Dona Neusa. Eu a conhecia por ser mãe de um de nossos primeiros convertidos, Cesar Coutinho. Ao lado do caixão: Cesar, sua irmã, outros parentes e alguém muito especial com o nome de Carmelita.
Ela era uma mulher alta, de pele escura, quase negra. Naquele dia seu vestido era simples e seu rosto solene. Ela olhava fixamente para o caixão com seus olhos castanhos e fundos. Havia algo de nobre na maneira como ficava ali de pé ao lado do corpo. Ela não chorava abertamente como os demais. Nem procurava consolo com os outros enlutados. Ela só ficou ali, curiosamente quieta.
Na noite anterior eu acompanhara Cesar na delicada missão de contar a Carmelita que Dona Neusa morrera. Enquanto nos dirigíamos para a casa dela, ele explicou-me como Carmelita fora adotada em sua família.
Mais de vinte anos antes, a família de Cesar visitara uma pequena cidade no interior do Brasil. Eles encontraram ali Carmelita, uma órfã de sete anos, vivendo com parentes pobres. A mãe dela tinha sido uma prostituta. Ela nunca conhecera o pai. Depois de ver a criança, Dona Neusa sentiu-se comovida, sabendo que se não interferisse, a pequena Carmelita estava condenada a uma vida sem amor nem atenção. Por causa da compaixão de Dona Neusa, Cesar e sua família voltaram para casa com um novo membro.
Enquanto eu me encontrava ali na capela funerária e olhava para o rosto de Carmelita, tentei imaginar as suas emoções. Como a vida dela tinha mudado. Fiquei pensando se a sua mente revivia as lembranças da infância quando subira num carro e se afastara para viver com uma família estranha. Num momento ela não tinha amor, um lar, nem um futuro; no momento seguinte obtivera essas três coisas.
Meus pensamentos foram interrompidos pelo ruído de pés se arrastando. O velório terminara e as pessoas deixavam a capela para assistir ao enterro. Por causa de minha posição, bem no canto do prédio, fui o último a sair. Ou pelo menos pensei que fora. Enquanto andava ouvi uma voz suave atrás de mim. Voltei-me e vi Carmelita chorando silenciosamente ao lado do caixão. Comovido, parei na porta da capela e assisti o seu tocante "adeus". Carmelita estava sozinha pela última vez com sua mãe adotiva. Havia sinceridade em seus olhos. Era como se ela tivesse uma tarefa final a cumprir. Ela não se lamentou em voz alta, nem gritou de dor. Simplesmente inclinou-se sobre o caixão e o acariciou ternamente como se fosse o rosto da mãe. Com lágrimas silenciosas caindo sobre a madeira polida ela repetiu várias vezes "Obrigada, obrigada".

Max Lucado

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Testemunho do cantor Lázaro

8

Revista Comunhão

“O DVD “Eu te amo tanto” do cantor e compositor Lázaro, lançado no início de 2008, tornou-se um grande sucesso entre os evangélicos, um fenômeno musical que contagiou o público. Mas muito desse êxito se deve ao testemunho de vida que Lázaro apresenta neste trabalho. Pontuando as músicas, o cantor vai contando sua história mesclada à parábola do filho pródigo narrada na Bíblia, ao mesmo tempo em que faz com que as pessoas refl itam sobre sua própria existência, intercedam e orem por outras. Ora com músicas mais agitadas, bem baianas como o cantor, inclusive com faixas de reggae, ora com baladas mais lentas, o cantor conta que, como o fi lho pródigo, esteve “morto” e voltou para o Pai.
O DVD já conquistou o disco de ouro, embora o impressionante seja o fato de que o próprio Lázaro, durante suas apresentações, estimule as pessoas a fazerem cópias do trabalho para presentearem outras pessoas, para que elas venham a conhecer o seu testemunho. Não vender, nem comprar DVDs piratas na mão de camelôs, mas presentear.
Na internet, centenas de manifestações em sites que comercializam o DVD dão conta de que o testemunho de Lázaro é comovente. O ponto alto do DVD é a música “Eu te amo tanto”, composição do próprio Lázaro que dá nome ao trabalho e faz sucesso nas rádios. Apesar de todo o trabalho do artista possuir um estilo bastante jovem, seu público é composto por pessoas de todas as faixas etárias e de diversas denominações.
Com bom humor e bastante realismo, Lázaro afi rma que não é e nem deseja ser uma estrela da música gospel. “Um dia desses falaram comigo: ‘Que bom que você optou por uma gravação tão simples!’ (risos) Eu digo: ‘Não foi uma opção, mas foi o melhor que nós pudemos fazer! Na gravação, eu estava usando minha melhor roupa!’ (risos) Não é uma estratégia. Eu sou assim. Estou lutando”.
Além da trajetória, semelhante à do fi lho pródigo, e do nome bíblico, a história de vida resgatada coincide com a história de Lázaro, um amigo de Jesus e de seus discípulos, que vivia em Betânia e era irmão de Marta e Maria. Certo dia, Lázaro fi cou doente. Foram chamar por Jesus para que fosse visitá-lo a fi m de que não morresse. Mas Jesus afi rmou que a enfermidade de Lázaro não era para a morte, mas, sim, para a glória de Deus. Essa história o povo de Deus conhece e sabe que Lázaro morreu e permaneceu morto por quatro dias, até que Jesus chegou à sua casa, chorou por ele e mandou retirar a pedra da porta do túmulo, chamando o amigo para fora.
O Lázaro baiano, que congrega na Igreja Batista de Pituba, em Salvador, também foi chamado “para fora”, mas para fora da vida secular. Ele começou sua carreira como músico aos 18 anos, quando comprou um violão. Tocou na noite, em bares e boites, percorreu uma longa estrada até chegar aos caminhos da música como ministério de Deus. Lázaroviajou por todo o Brasil tocando em diversas bandas, mas o maior reconhecimento veio com a atuação na banda Olodum. Neste caminho, Lázaro conheceu as drogas, teve problemas por causa delas e a vida começou a parecer muito complicada.
Quando saiu do Olodum, o cantor se viu sem dinheiro, sem casa, viciado, e precisou da ajuda de outras pessoas para viver. Lázaro conta que sua vida foi “moída pelo diabo”, ele canta exatamente isso na música “Bagaço”, e diz que o inimigo fazia dele o que bem entendia, o queo o envergonhava social e espiritualmente.
Hoje, Lázaro novamente viaja pelo Brasil, fazendo apresentações, contando o seu testemunho e demonstrando um pouco daquilo que sofreu na própria pele. Em entrevista à Comunhão, disse que vive na total dependência de Deus. “Tenho consciência de que no dia em que achar que estes aplausos são para mim, tudo acabou”.
A humildade, segundo ele, é uma das características que procura manter como sustentáculo de seu ministério: “O que eu peço a Deus é que guarde o meu coração, porque o primeiro passo que uma pessoa dá em direção a Deus é antes em direção a outro homem, porque ela precisa ouvir uma palavra, precisa gostar de um cantor, ou se identifi car com uma determinada igreja. Peço isso porque Ele foi quem me deu este privilégio de guiar multidões. Para que nós não achemos que é por nossa capacidade”.
Quanto à vaidade da vida com a qual já teve contato durante sua carreira secular, ele afi rma que tem buscado a orientação de Deus em oração. “O difícil é administrar a nós mesmos. Porque falar de humildade para um microfone e para uma pessoa gravando entrevista é fácil. Agora, ser humilde com vinte mil pessoas gritando o seu nome, aí se a gente não tiver a direção de Deus é complicado”, desabafou.
Depois de nove anos de nova carreira, com a vida resgatada, reconciliado com a família e a música novamente fl uindo em sua existência, agora como ministério, Lázaro afirma que não buscou por este reconhecimento que surge hoje como algo natural, por onde quer que ele passe. “Jesus, para me fazer ressurgir, me fez acreditar que a minha vida como músico estava acabada. Eu estava acostumado a enfrentar milhares e milhares de pessoas à minha frente. Às vezes, cantava numa igreja em que não ia ninguém. Eu
tocava sozinho, de sete e meia até as nove horas.
Naquela época, eu achava que tudo tinha terminado. Tive de arrancar a música de dentro de mim. Tanto, que hoje eu não me considero um artista evangélico; eu me considero alguém que sobe ao púlpito, que prega, que canta, de quem as pessoas gostam e das quais eu gosto”


EU TE AMO TANTO
Lázaro
Por que me resgatou?
Por que me trouxe aqui?
Por que me queres, Deus, tanto assim?
Se contra o céu pequei, e contra ti
também.
Minha vida eu destruí, como errei...
Por que me queres tanto assim?

(Refrão 2X)

Filho eu quero tanto
Enxugar teu pranto, te fazer só meu.
Filho eu quero ser teu Deus
Eu te amo tanto, tanto, tanto, tanto
Filho vem ser meu, filho eu quero ser teu
Deus
Por que me queres tanto assim?
Eu quero te envolver em meus mistérios
No manto da minha glória
Eu vou desenrolar o rolo santo
Mudar a tua história
Eu vou fazer de ti vaso de honra
Eu vou envergonhar os que te zombam
Vou te dar vitória

Por que me queres tanto assim?

(Refrão 2X)

Por que eu te amo!

CONTATO LÁZARO
Telefone: (75) 3223-3863
(75) 3603-9215
e-mail: contato@irmaolazaro.com.br
Site: www.irmaolazaro.com.br
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